A relação política entre o prefeito de Ilhéus, Valderico Júnior, e o grupo do ex-prefeito Jabes Ribeiro, ligado ao Partido Progressistas (PP), entrou em uma nova e turbulenta fase. Em meio ao desgaste e ao rompimento político que já vinha sendo percebido nos bastidores, o prefeito promoveu uma verdadeira reviravolta na estrutura administrativa do município, exonerando nomes indicados pelo partido e retirando do PP os três espaços de maior peso que ocupava no governo.

Na Secretaria de Promoção Social, Sayonara Machado deixou o comando da pasta. Para o seu lugar, foi nomeada a vice-prefeita Wanessa Gedeon, que passa a assumir diretamente a secretaria.

Na Secretaria de Cultura, Anarleide Menezes foi exonerada. Quem assume a pasta é Davidson Leandro, que anteriormente presidia a Fundação Maramata.

Já na Secretaria de Serviços Urbanos, Cacá Colchões foi retirado do cargo. Para responder interinamente pela secretaria, foi designado o servidor efetivo do município Hermano Fahning.

A movimentação não se limita às três secretarias. Além das mudanças no primeiro escalão, outros indicados do Progressistas também perderam seus cargos em comissão, ampliando o impacto da decisão sobre o espaço político que o grupo de Jabes Ribeiro mantinha na administração municipal.

Nos bastidores da política ilheense, a leitura é de que Valderico Júnior decidiu dar um recado claro: o governo não pretende mais manter a mesma composição política que vinha sustentando a participação do PP na gestão.

O episódio aprofunda a crise entre os antigos aliados e evidencia o distanciamento entre Valderico e Jabes Ribeiro. O que antes era uma aliança política agora dá sinais de ter se transformado em uma disputa por influência e espaço no cenário político de Ilhéus.

O recado administrativo foi dado: três secretarias mudaram de comando e o PP perdeu espaço na gestão. Em Ilhéus, a crise entre antigos aliados ganha um novo capítulo.

De aliados na eleição a excluídos do governo?

A movimentação levanta uma discussão política inevitável sobre o tratamento dado pelo prefeito aos antigos aliados. Em 2024, o Progressistas integrou a coligação que apoiou Valderico Júnior na disputa pela Prefeitura de Ilhéus, contribuindo para a composição política que o levou à vitória.

Naquela eleição, Valderico recebeu 41.567 votos, contra 38.928 de Adélia Pinheiro. A diferença foi de apenas 2.639 votos. Um resultado apertado que demonstra o peso de cada força política na disputa.

Agora, pouco mais de dois anos depois, o grupo de Jabes Ribeiro vê os espaços que ocupava na administração municipal serem retirados de uma só vez. Para setores que acompanham a política ilheense, a decisão pode ser interpretada como um gesto de desprezo aos antigos aliados, que estiveram ao lado do prefeito na construção do projeto eleitoral de 2024.

A pergunta que fica é: o apoio político é importante durante a campanha, mas deixa de ter valor depois que a vitória é conquistada?

O rompimento também coloca em evidência o custo político de uma aliança desfeita. O PP perde espaço na estrutura administrativa, enquanto Valderico reorganiza seu governo sem os nomes que representavam o grupo de Jabes Ribeiro.

A reforma, portanto, vai muito além de uma simples troca de secretários. É uma mudança na relação de forças políticas de Ilhéus e um novo capítulo de uma aliança que terminou de forma bastante turbulenta.