Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (22), registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09709/2026, revela uma disputa extremamente equilibrada pela Presidência da República entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

De acordo com o levantamento do Instituto Datafolha, os dois candidatos aparecem com 50% das intenções de voto quando considerados apenas os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos. O resultado configura empate numérico e técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa ouviu 2.520 eleitores em 154 municípios brasileiros, entre os dias 20 e 22 de outubro, em um dos momentos mais decisivos da campanha eleitoral. O levantamento foi realizado por meio de entrevistas presenciais em pontos de fluxo, permitindo observar o comportamento do eleitorado na reta final da disputa marcada para domingo, 25 de outubro.

A análise dos resultados por gênero revela diferenças importantes no comportamento eleitoral de homens e mulheres. Entre as eleitoras, Lula aparece à frente, com 53% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro apresenta maior desempenho entre os homens, alcançando 54%.

A religião também representa uma divisão expressiva: entre os evangélicos, o candidato do PL registra 73% das preferências, enquanto Lula concentra 59% do apoio entre os católicos. Os números demonstram que os dois candidatos possuem bases eleitorais distintas, com vantagens em segmentos específicos da população. Essas diferenças ajudam a explicar o equilíbrio nacional apontado pelo Datafolha, uma vez que o desempenho favorável de um candidato em determinado grupo pode ser compensado pela preferência do adversário em outro segmento.

Quando analisados os votos totais, incluindo eleitores indecisos e aqueles que pretendem votar em branco ou anular o voto, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente, com 47%, contra 46% de Lula. Outros 5% afirmaram que pretendem votar em branco ou nulo, enquanto 2% não souberam responder. Em comparação com a pesquisa anterior, divulgada em 15 de outubro, o senador permaneceu com 47%, enquanto o presidente passou de 45% para 46%. Já nos votos válidos, Flávio oscilou de 51% para 50%, enquanto Lula passou de 49% para 50%. Na primeira rodada do Datafolha para o segundo turno, divulgada em 8 de outubro, o placar era de 52% para Flávio e 48% para Lula. A sequência dos levantamentos mostra uma redução gradual da vantagem numérica do candidato do PL, embora todas essas diferenças estejam dentro da margem de erro. 

O recorte regional confirma a existência de diferenças significativas entre as preferências eleitorais nas diversas regiões brasileiras, com destaque para a vantagem de Lula no Nordeste e de Flávio Bolsonaro no Sul e Sudeste. No Nordeste, o presidente aparece com 65% das intenções de voto totais, contra 30% do adversário, ampliando sua marca anterior de 61%. No Sudeste, Flávio registra 51%, enquanto Lula soma 39%. No Sul, o senador alcança 58%, diante de 33% do petista. Já nas regiões Norte e Centro-Oeste, analisadas conjuntamente, Flávio apresenta 53% e Lula, 41%.

A renda e a escolaridade também influenciam a distribuição das intenções de voto: Lula alcança 58% entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos e 57% entre aqueles com ensino fundamental, enquanto Flávio apresenta desempenho mais favorável entre eleitores de renda superior a dois salários mínimos e com ensino médio ou superior. Entre os eleitores de 35 a 44 anos, o senador registra 56%. Os resultados evidenciam a importância das diferenças regionais e socioeconômicas para a composição do cenário eleitoral nacional.

Além das intenções de voto, o levantamento apresenta indicadores de rejeição e informações metodológicas importantes para compreender o cenário eleitoral. Em levantamento sobre a rejeição divulgado nesta quinta-feira, Flávio Bolsonaro aparece com 46%, enquanto Lula registra 45%, demonstrando resistência expressiva a ambas as candidaturas. A pesquisa Datafolha BR-09709/2026 foi encomendada pelo jornal Folha de S.Paulo e pela TV Globo, com nível de confiança de 95% e margem de erro geral de dois pontos percentuais. O custo informado para o estudo foi de R$ 384.552. Vale destacar que as margens de erro podem ser maiores quando os resultados são analisados por grupos específicos, como religião, renda, escolaridade e região. A três dias da votação, o levantamento indica uma eleição presidencial sem liderança estatisticamente definida, na qual a mobilização dos eleitores, a abstenção e as decisões tomadas na reta final poderão influenciar o resultado das urnas. O registro no TSE garante a identificação pública da pesquisa e de sua metodologia, mas não representa uma certificação dos resultados pela Justiça Eleitoral.