Câmara Municipal de Ilhéus em chamas e prefeito Valderico Júnior na mira do Legislativo

O clima esquentou e não foi pouco na Câmara Municipal de Ilhéus. Durante a sessão, o presidente da Casa, César Porto, do Progressistas, decidiu abandonar o tom protocolar e subiu vários decibéis contra o governo do prefeito Valderico Júnior. O alvo principal foram os secretários municipais, acusados de tratar vereadores como se fossem meros espectadores e não representantes eleitos pela população.
Segundo César Porto, há secretários que parecem ter adotado a política do visualizado e ignorado. Ligações não atendidas, mensagens sem resposta e ofícios oficiais que, ao que tudo indica, entram em alguma espécie de limbo administrativo. O presidente relatou o caso de um vereador que aguardou cerca de 30 dias por uma resposta e recebeu apenas um já te ligo, ligação que só aconteceu sete dias depois. Para quem esperava eficiência administrativa, o roteiro tem mais cara de reprise do que de gestão dinâmica.
A insatisfação não ficou restrita à presidência. A vereadora Enilda Mendonça, do PT, foi à tribuna munida da Lei Orgânica do Município e fez questão de lembrar que o não atendimento a requerimentos da Câmara pode configurar infração político administrativa, situação que, em casos mais graves, pode culminar até na cassação do mandato do prefeito. O recado foi dado com direito a leitura em plenário para deixar claro que o Legislativo conhece e pode fazer valer suas prerrogativas.
Em meio ao embate, o vereador Maurício Galvão, do PSB, também engrossou o coro das críticas. Já César Porto afirmou estar vendo o filme se repetir, numa alusão ao pai do atual prefeito, que foi cassado em 2006 por improbidade administrativa. A metáfora não passou despercebida. Em ano eleitoral, o que se vê é uma tensão crescente entre Executivo e Legislativo e um diálogo que, ao que parece, anda mais difícil de encontrar do que resposta de secretário em horário de expediente.









