Uma reportagem publicada pelo Intercept Brasil trouxe à tona informações sobre pagamentos realizados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) à empresa de cibersegurança Elytron, apontada como fornecedora de uma tecnologia de inteligência artificial que poderia ser utilizada em operações de influência política. Segundo a investigação, o valor repassado à companhia teria chegado a R$ 600 mil.

De acordo com a publicação, documentos obtidos pelo veículo indicam que a empresa oferecia, nos Estados Unidos, uma ferramenta capaz de identificar perfis de eleitores, criar contas falsas nas redes sociais, espalhar informações enganosas e desenvolver estratégias digitais para prejudicar a imagem de adversários políticos.

A reportagem também destaca que o Partido Liberal declarou pagamentos de aproximadamente R$ 131,9 mil à mesma empresa. Os valores relacionados à campanha de Flávio Bolsonaro aparecem na prestação de contas eleitoral classificados como serviços de consultoria na área de tecnologia da informação.

As informações teriam sido fornecidas por Vincent Edward Reed, ex-consultor da Elytron, que afirmou ter deixado a companhia após desenvolver preocupações sobre os possíveis impactos éticos e legais da tecnologia. Segundo seu relato, ele chegou a procurar autoridades norte-americanas, mas as denúncias não resultaram em avanços nas investigações.

Procurada pela reportagem, a equipe de Flávio Bolsonaro negou qualquer contratação de serviços ilegais. A defesa apresentada pela campanha sustenta que os trabalhos realizados pela empresa tinham como finalidade reforçar a segurança dos sistemas de comunicação e prevenir ataques cibernéticos.

Apesar das revelações, a existência dos pagamentos não comprova, por si só, que a campanha tenha utilizado ferramentas para manipular eleitores ou interferir ilegalmente no processo eleitoral. As suspeitas apresentadas pela reportagem dependem de apuração para que eventuais irregularidades sejam confirmadas.