A juíza aposentada Cláudia Márcia de Carvalho Soares protagonizou debate no Supremo Tribunal Federal ao defender a manutenção das chamadas verbas indenizatórias — os chamados “penduricalhos”. Durante a sessão que analisava decisões dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes para restringir pagamentos acima do teto constitucional, ela afirmou que magistrados de primeiro grau não dispõem de estrutura adequada, dizendo que não têm “nem água nem café”.

Apesar do discurso, registros salariais do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região mostram que a ex-magistrada recebeu R$ 296 mil apenas nos três últimos meses de 2025. Em dezembro, mês que inclui 13º salário e outras vantagens, o valor chegou a R$ 113,8 mil — mais que o dobro do teto do funcionalismo público, atualmente fixado em R$ 46,3 mil. Ao longo de todo o ano, os vencimentos ficaram acima de R$ 40 mil mensais.

Levantamento anual indica ainda que, diferentemente dos R$ 24 mil líquidos mencionados na tribuna, não houve mês em 2025 em que a remuneração tenha ficado nesse patamar. O caso reacendeu o debate sobre supersalários no Judiciário e a aplicação do teto constitucional.

Valores recebidos mês a mês em 2025:

Janeiro – R$ 63,1 mil

Fevereiro – R$ 46,6 mil

Março – R$ 44,6 mil

Abril – R$ 44,7 mil

Maio – R$ 44,7 mil

Junho – R$ 44,7 mil

Julho – R$ 44,7 mil

Agosto – R$ 44,7 mil

Setembro – R$ 44,7 mil

Outubro – R$ 91,1 mil

Novembro – R$ 91,1 mil

Dezembro – R$ 113,8 mil