Ana Clara Gomes Machado tinha apenas cinco anos e brincava na porta de casa, ao lado do irmão de dois anos, quando foi atingida por um disparo de fuzil e morreu, em 2 de fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói (RJ). Segundo denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), o tiro foi disparado pelo policial militar Bruno Dias Delaroli durante um patrulhamento na região.

O cabo do 12º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Niterói efetuou disparos em direção à área residencial e de lazer onde as crianças estavam. Como relata a acusação, moradores gritaram para alertar os agentes de que havia pessoas no local, mas os disparos continuaram. A promotoria sustenta que o policial assumiu o risco de matar.

Delaroli chegou a ser preso preventivamente após a morte da menina. Em novembro de 2021, porém, a prisão foi substituída por medidas cautelares.

A Justiça decidiu posteriormente que o policial deveria ser submetido ao Tribunal do Júri. Em 2024, quando já exercia o mandato de senador, Flávio Bolsonaro (PL) integrou a defesa do militar e assinou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que determinou o julgamento popular. O pedido foi negado.

Mesmo com a decisão mantida, o julgamento ainda não aconteceu. Mais de cinco anos após a morte de Ana Clara, a família continua à espera de uma resposta definitiva da Justiça.

O presidente Lula perguntou a Flávio Bolsonaro, no debate da Band, neste domingo, 18, por que ele defendeu o assassino de uma menina de 5 anos de idade. O candidato da extrema direita não respondeu e não mencionou o caso.

A demora em julgar o caso voltou ao debate público com o lançamento do episódio O Julgamento que Nunca Aconteceu, da série jornalística Revelando. A produção reconstrói a morte da menina, acompanha a luta da família e expõe a atuação de Flávio Bolsonaro na defesa do policial acusado.

No vídeo, Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara, expressa indignação com a decisão do presidenciável de atuar no caso e com a tentativa de reverter a decisão que levaria o policial ao Tribunal do Júri.

“É surreal de acreditar como que uma pessoa, querendo ser o presidente do Brasil, defendeu um cara que é sem escrúpulo nenhum, defendeu um monstro desse, que ele é um monstro. Ele assumiu o caso de um assassino, ele tentou anular o júri do cara que matou minha filha. Ele tentou anular o júri de um cara que impediu uma criança de 5 anos de viver.”