Contrato de R$ 1,92 milhão da Prefeitura de Ilhéus para atendimento de varizes é alvo de denúncia por possíveis irregularidades

A Rádio Bahiana de Ilhéus recebeu uma denúncia sobre possíveis irregularidades no contrato da Prefeitura de Ilhéus com a empresa Oncovasc Clínica Médica e Cirúrgica Ltda., no valor de R$ 1,92 milhão, para a prestação de serviços de angiologia e tratamento esclerosante de varizes. O contrato prevê o pagamento de R$ 160 mil mensais à empresa, mas segundo informações o atendimento de varizes estaria atualmente suspenso.
De acordo com os documentos encaminhados à reportagem, um dos principais questionamentos está no local de realização dos atendimentos. O edital que deu origem à contratação previa que os procedimentos fossem realizados em estrutura própria da empresa, com seus equipamentos. No entanto, o contrato passou a estabelecer a realização dos serviços dentro da Policlínica Municipal, utilizando uma estrutura pública, sem que o valor de contrato fosse reduzido.
Outro ponto levantado envolve o endereço apresentado pela empresa como sua estrutura própria em um contrato anterior com o município. O endereço informado, na Praça Ruy Barbosa, no Centro de Ilhéus, aparece em registros públicos vinculado a outra empresa, que atua na área de oftalmologia. A situação levanta dúvidas sobre qual estrutura a Oncovasc efetivamente disponibilizava para a execução dos serviços.
A documentação também aponta que a empresa mantém contratos simultâneos para prestação de serviços médicos em Ilhéus e Itacaré. Em Ilhéus, os contratos preveem jornadas que podem chegar a 80 horas semanais, enquanto a empresa também mantém contratos em Itacaré, incluindo um para atendimento na área de angiologia. Os documentos levantam questionamentos sobre a compatibilidade dessas jornadas, especialmente porque a mesma médica, sócia da empresa e responsável pelos atendimentos de angiologia, aparece sendo a responsável pela execução dos serviços. A apuração das escalas e registros de atendimento é necessária para verificar se os horários previstos nos diferentes contratos poderiam ser cumpridos pela profissional.
Também há relatos de que pacientes teriam sido cobrados por atendimentos particulares dentro da Policlínica Municipal. Segundo os documentos, a situação foi levada ao conhecimento da Secretaria Municipal de Saúde, que informou que, diante de uma denúncia concreta e identificável, seria instaurado procedimento para apuração. Até o momento, porém, não foi apresentada documentação que indique a abertura ou conclusão de uma investigação sobre o caso.









