O senador Ângelo Coronel (PSD-BA) confirmou oficialmente neste sábado sua saída do Partido Social Democrático (PSD), após meses de controvérsias e embates políticos internos ligados à formação da chapa que disputará as eleições de 2026 no estado da Bahia. A confirmação foi feita em entrevista ao programa Frequência News e ocorre em um momento de tensão entre o parlamentar e a direção estadual da legenda.

Segundo Coronel, sua decisão de deixar o PSD se deu “porque não me deram a vaga que eu tenho com direito de reeleição”, em referência à composição da chapa majoritária da base governista estadual. Ele afirmou que foi “colocado para fora” pela direção do partido e que agora falta apenas a formalização da saída junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Conflito de alinhamentos e críticas

A crise interna começou a ganhar força nas últimas semanas, com Coronel criticando publicamente a base governista e o Partido dos Trabalhadores (PT) por uma suposta falta de espaço para sua candidatura. Antes da decisão de sair do PSD, ele chegou a acusar o PT de ser “guloso” nas negociações e de tentar reduzir seu papel na composição majoritária.

A relação com Otto Alencar, presidente estadual do PSD e também senador, tornou-se um ponto de atrito. Coronel afirmou que sua permanência no partido se tornou “insustentável” depois de declarações de Otto. O senador negou, no entanto, que tenha planejado um golpe interno para assumir a direção do partido, apesar de relatos de conversas com o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, para discutir a possível mudança estratégica do PSD na Bahia.

Em nota anterior, Coronel chegou a negar tentativas de golpe partidário e disse que só deixaria o PSD se fosse expulso, destacando a amizade de longa data com Otto Alencar. Porém, com a escalada do conflito, esse cenário acabou se concretizando com sua saída.

Reações e repercussões

Após o anúncio, Coronel publicou nas redes sociais um vídeo em que aparece em uma praia buscando “força e coragem para encarar esse novo desafio”, sinalizando a disposição de seguir seu projeto político de forma independente ou em outra legenda.

No meio político, lideranças do PSD tentam acalmar os ânimos. O deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Adolfo Menezes, reafirmou que as bancadas seguem alinhadas à liderança de Otto Alencar e à estratégia do partido na sucessão estadual.

Do lado governista, o senador Jaques Wagner (PT) avaliou recentemente como “difícil” a possibilidade de uma candidatura de Coronel ligada à base majoritária, caso ele opte por seguir isolado.

O que vem pela frente

Com a saída do PSD, Coronel abre caminho para novas articulações  possivelmente com outras legendas  e reafirma seu desejo de disputar a reeleição ao Senado. Fontes próximas indicam que ele tem mantido conversas com lideranças de outras siglas, embora nada tenha sido formalizado até o momento.

A oficialização do desligamento do PSD junto ao TRE e o anúncio da nova definição partidária devem ocorrer nas próximas semanas, em meio às intensas negociações que antecedem o calendário eleitoral de 2026.