A proposta de delação premiada apresentada por João Carlos Mansur, ex-dono da Reag Investimentos, trouxe novas informações sobre a relação financeira do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), com o Banco Master.

Segundo informações divulgadas pelo UOL, além de sua empresa, A&M Consultoria, ter recebido cerca de R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag entre 2022 e 2024, ACM Neto também teria mantido investimentos em produtos financeiros relacionados ao banco.

De acordo com os dados, Neto seria o único proprietário do fundo Seattle 95, administrado pela Reag até 2025. Por meio desse fundo, aproximadamente R$ 4,8 milhões teriam sido aplicados no Structure, produto lastreado em empréstimos consignados originados pelo Banco Master.

O Seattle 95 teria recebido aportes de R$ 7,92 milhões de ACM Neto e alcançado aproximadamente R$ 11,94 milhões em outubro de 2025. A valorização representaria um ganho de cerca de R$ 4,01 milhões, equivalente a um rendimento médio próximo de 17% ao ano.

A movimentação financeira ganha relevância diante das investigações envolvendo as duas instituições. Tanto o Banco Master quanto a Reag foram posteriormente liquidados pelo Banco Central, após investigações e operações policiais relacionadas a suspeitas de irregularidades.

Ainda segundo as informações divulgadas, os investimentos de Neto no Structure permaneceram até julho de 2025, mesmo após operações que já investigavam possíveis irregularidades envolvendo as instituições financeiras.

O caso também ocorre em meio ao crescimento do patrimônio declarado por ACM Neto à Justiça Eleitoral. Nas eleições de 2022, o patrimônio informado era de aproximadamente R$ 41 milhões. Atualmente, o valor declarado chega a cerca de R$ 85 milhões, mais que o dobro do registrado anteriormente.

As informações sobre os investimentos, contudo, não significam, por si só, que tenha havido qualquer irregularidade por parte de ACM Neto. A eventual relação entre os recursos aplicados pelo fundo e as suspeitas investigadas deverá ser esclarecida pelas autoridades.

A proposta de delação de João Carlos Mansur ainda depende de análise e eventual homologação pelas autoridades competentes.