A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta quinta-feira (13), a Operação Severus, segunda fase da Operação Pacto Infame, que investiga um suposto esquema de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro no município de Gongogi, no sul da Bahia.

Ao todo, são cumpridos 33 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em oito municípios baianos: Gongogi, Itabuna, Ilhéus, Dário Meira, Ipiaú, Ibicaraí, Valença e Eunápolis.

Em Itabuna, equipes da Polícia Federal realizaram buscas em um imóvel localizado no Condomínio Real Ville, no bairro São Judas Tadeu. Segundo informações iniciais, o endereço estaria ligado ao vice-prefeito de Gongogi, Fernando Barros Matos, conhecido como Fernando Matos ou Nando. Uma segunda pessoa também seria alvo das ordens judiciais cumpridas no local.

Fernando Matos é atualmente vice-prefeito de Gongogi, na gestão do prefeito Adriano Mendonça. Além de agentes públicos, a investigação também mira empresários que teriam participação no suposto esquema.

Segundo a PF e a CGU, as investigações apontam para a existência de uma organização criminosa estruturada dentro da Administração Municipal, com participação de agentes públicos e particulares. O grupo teria atuado no direcionamento de licitações, uso de documentos falsos e simulação de procedimentos administrativos.

Os investigadores também apuram o pagamento por serviços que não teriam sido realizados ou que teriam sido executados apenas parcialmente. A suspeita é de que recursos públicos, inclusive verbas federais destinadas ao Fundeb e ao Sistema Único de Saúde (SUS), tenham sido desviados.

De acordo com as investigações, após o suposto desvio, os valores teriam sido movimentados por meio de pessoas e empresas interpostas, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro.

Justiça também autorizou a apreensão de dinheiro em espécie, joias e veículos relacionados aos investigados. Além disso, foram determinadas medidas cautelares patrimoniais para bloquear e tornar indisponíveis valores, imóveis, veículos e outros bens dos investigados, até o limite de R$ 2 milhões.

O material apreendido será analisado pela Polícia Federal e pela CGU para aprofundar as investigações e identificar a eventual participação de outros envolvidos.