Operação Merenda Digna investiga contrato de R$ 15,5 milhões, aponta suspeita de superfaturamento e gera forte repercussão após comentários de Adilson Neves e Rildo Mota no programa Falando Direito


(2º contrato celebrado pela Prefeitura com a Empresa de Goiás, 11 milhões para 5 meses de prestação de serviço )

A manhã desta quinta-feira (21) foi marcada por tensão e forte repercussão política em Ilhéus, no sul da Bahia. A Polícia Federal deflagrou a Operação Merenda Digna para investigar suspeitas de irregularidades em um contrato emergencial de R$ 15,5 milhões destinado ao fornecimento de alimentos para a merenda escolar do município.

Com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), agentes federais cumpriram 14 mandados de busca e apreensão em Ilhéus, Itagimirim, Camaçari e Lauro de Freitas. Entre os alvos estão servidores públicos, empresários e empresas suspeitas de participação em um possível esquema envolvendo direcionamento contratual e superfaturamento.

Segundo as investigações, há indícios de conluio entre empresas participantes da contratação emergencial, além da aquisição de produtos com valores acima dos praticados no mercado. A situação chamou atenção dos investigadores porque, em contratos de grande escala, os preços normalmente deveriam ser mais baixos devido ao volume da compra.

A estimativa inicial é de que o prejuízo aos cofres públicos ultrapasse R$ 1,7 milhão.

A decisão que autorizou a operação partiu da 1ª Vara Criminal de Ilhéus, após representação da Polícia Federal e parecer favorável do Ministério Público Estadual. Os investigados poderão responder por contratação direta ilegal, frustração do caráter competitivo da licitação, associação criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva.

O caso rapidamente ganhou repercussão nos bastidores políticos e dominou os debates no programa *Falando Direito*. Durante a transmissão, os comunicadores Adilson Neves e Rildo Mota classificaram o caso como mais um duro golpe na confiança da população.

“É revoltante ver dinheiro que deveria garantir alimentação de crianças virar alvo de investigação da Polícia Federal”, afirmou Adilson Neves durante o programa.

Já Rildo Mota destacou a gravidade do cenário e alertou para possíveis novos desdobramentos. “Quando a PF chega cumprindo mandados em várias cidades, é porque o buraco pode ser ainda mais embaixo”, comentou.

Enquanto documentos, celulares e computadores apreendidos passam por análise, o clima em Ilhéus é de apreensão. A operação colocou o município no centro de uma nova crise política e aumentou a pressão por explicações sobre o destino de recursos públicos destinados à alimentação escolar.

Agora, a expectativa gira em torno dos próximos passos da investigação e da possível identificação de outros envolvidos no esquema que transformou a merenda escolar em alvo da Polícia Federal.