A Polícia Federal apontou o candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) como uma liderança política de uma organização criminosa investigada por suspeitas de desvios de recursos públicos. A informação consta na decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a 10ª fase da Operação Overclean. As informações foram divulgadas pelo Valor Econômico e repercutidas nesta segunda-feira (21).

Segundo a PF, ACM Neto ocuparia uma posição superior na hierarquia política do grupo ligado ao empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”. Moura é investigado e já foi indiciado por suspeitas de corrupção, fraude em licitações e desvio de recursos públicos.

Entre agosto e dezembro de 2024, os investigadores identificaram 232 chamadas realizadas pelo WhatsApp entre ACM Neto e José Marcos de Moura. A frequência dos contatos foi incluída pela PF entre os elementos apresentados durante a investigação.

A investigação também cita conversas relacionadas à indicação de nomes para cargos na Prefeitura de Belo Horizonte. Em um dos diálogos analisados, Moura teria afirmado que precisaria consultar ACM Neto antes de definir quais secretarias seriam ocupadas por pessoas indicadas pelo grupo. A PF também mencionou o relato de uma assessora da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, que teria afirmado que sua nomeação havia sido aprovada pelo político baiano.

A 10ª fase da Operação Overclean investiga suspeitas de direcionamento de contratações e fraudes em contratos da área de educação da Prefeitura de Belo Horizonte entre 2024 e 2025. Segundo a PF, pelo menos três contratos analisados somam mais de R$ 80 milhões. A operação cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em seis estados.

A Polícia Federal chegou a solicitar autorização para realizar buscas contra ACM Neto. O pedido, porém, foi negado por Nunes Marques. Segundo informações sobre a decisão, o ministro considerou que os elementos apresentados não eram suficientes para justificar a medida e que as suspeitas poderiam estar relacionadas à atuação política do candidato.

Em nota, ACM Neto negou envolvimento com as irregularidades investigadas e afirmou que as acusações fazem parte de uma tentativa de interferência no processo eleitoral. A defesa do político classificou as informações como “factoides e insinuações mentirosas e falsas” e afirmou que seu nome estaria sendo associado indevidamente a situações com as quais, segundo ele, nunca teve envolvimento.