Os recenseadores contratados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para fazer o Censo na Bahia relataram assaltos a mão armada durante o trabalho e reclamam das condições de trabalho.

A falta de segurança não é a única reclamação dos recenseadores. Alguns deles dizem ainda que os pagamentos estão atrasados e já abandonaram o serviço. Segundo o IBGE, as desistências estão dentro do esperado.

Os trabalhadores começaram a pesquisa no dia 1° de agosto e devem visitar todos os domicílios do estado. A falta dos auxílios para transporte e alimentação também fazem parte das queixas da categoria.

Segundo o IBGE, os recenseadores não são trabalhadores mensalistas e os ganhos são por produtividade. Já os trabalhadores dizem que as metas são difíceis de serem alcançadas.

No site do instituto é possível simular o valor do rendimento. Um recenseador que trabalha 30 horas por semana em Ilhéus, tem uma remuneração semanal estimada em R$ 343,50. Em quatro semanas, o valor pode passar de R$ 1.374.

A recenseadora contou ainda que em quase um mês de trabalho, ainda não recebeu pagamento.

Todos os dias, cerca de 12 mil recenseadores entrevistam moradores de cidades baianas. De acordo com eles, o problema é que as condições de trabalho têm levado uma parte desses trabalhadores a abandonar o serviço.

Conforme o IBGE, 614 foram desligados em menos de um mês. Apenas 16 saíram por decisão do órgão.

Na Bahia, a maior parte dos recenseadores tem até 24 anos de idade. São três em cada 10 dos classificados (31,6%). Mais da metade tem até 30 anos (54,1%). Só 1,5% dos treinados na Bahia são idosos.

Por nota, a Direção Nacional do IBGE informou que reconhece o papel dos recenseadores e dos outros servidores temporários. Disse também que a maioria dos pagamentos já foi regularizada e que demandas residuais estão sendo resolvidas caso a caso.

Já o superintendente do IBGE na Bahia, André Urpia, disse que o índice de desistência está dentro do aceitável que é de 10% e que o instituto convoca novos recenseadores para que o trabalho não seja prejudicado.

Sobre a insegurança, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou que orienta os servidores a não se expor a situações de risco e quando necessário buscar suporte dos supervisores. Já sobre as metas, o IBGE disse que para o Censo, todos os domicílios da Bahia precisam ser visitados.