POVOS TRADICIONAIS DE TERREIRO E RELIGÕES AFRODESCENDENTES REIVINDICAM NA CÂMARA MAIS ESPAÇO POLÍTICO EM ILHÉUS

Hoje (30), dia da Consciência Municipal Indígena, foi realizada Audiência Pública para debater ações afirmativas de políticas para os povos tradicionais de Terreiro e religiões afrodescendentes de Ilhéus. O debate ocorreu em plenário da Câmara Municipal de Ilhéus, instituição responsável pela iniciativa, com transmissão ao vivo nas redes sociais.
A Audiência contou com a participação da vereadora do PT e líder da minoria, Enilda Mendonça, que afirmou a importância de trazer este demanda para a Casa Legislativa, pois “esta é uma porta que se abre e que não se pode mais fechar, para que nós tenhamos o cumprimento da lei contra a intolerância religiosa”.
A discussão sobre os povos tradicionais também contou com a presença do vereador Cláudio Magalhães (PCdoB) que começou a Audiência Pública destacando todas as leis municipais já existentes em Ilhéus que garantem a integridade do povo negro. No entanto, o parlamentar lembrou que “elas precisam sair do papel e serem executadas. Principalmente o combate ao racismo”. O vereador de origem indígena relembra que a história de Ilhéus através da cultura e monocultura do cacau utilizou a mão-de-obra escrava e, portanto, “partindo desse contexto é que precisamos construir uma reparação para este povo”, reivindicou.
Leonardo Salles, Defensor Público, disse que o resultado desta Audiência deve levar alguma consciência para a população e que a instituição por ele representada entende que além da luta contra a intolerância religiosa é preciso realizar um trabalho de educação com a população. Ele propôs a instituição da Semana da Religião de matriz africana em Ilhéus, um conjunto de eventos desenvolvidos pelos povos de Terreiro da cidade com a cooperação dos Poderes Legislativo e Executivo.
Representatividade afrodescendente
O Conselho de Cultura Setorial Afro foi representado pela Ialorixá Bernadete Sousa que chamou atenção para os espaços de candomblé como um espaço político. “Fazemos os nossos debates sobre gênero e de raça, falamos também sobre o combate as discriminações que infelizmente nosso povo negro sempre vivenciou”, disse. Já Moacir Pinho, representante do Movimento Negro Unificado, reivindicou espaços para a prática religiosa. “Precisamos também de uma área de mata”, exemplificou.
Outra grande reivindicação do grupo é a criação de um Conselho Municipal de políticas tradicionais a fim de estreitar o diálogo dos povos de terreiros com a Prefeitura e a Câmara. A reivindicação foi feita pelo Mestre Ney. Também esteve presente a vice-presidente da UNEGRO, Cris Vilas Boas, que lembrou o falecimento de Mãe Laura Sandoyá. “Em Julho das Pretas a UNEGRO tomou a decisão de homenagear a Mãe Laura e através disso dizer a representatividade que ela tem em nossa cidade”.









