Especialistas consideram remota a chance de um tsunami atingir o Brasil. Nesta quinta-feira, 16, o Plano Especial de Proteção Civil e Atenção às Emergências de Risco Vulcânico das Ilhas Canárias (Pevolca) alertou que um vulcão nas Ilhas Canárias entrou em estado de alerta e sua erupção explosiva poderia causar um tsunami no Brasil.

Segundo especialistas ouvidos pela Defesa Civil de Salvador, Codesal, a suposição não tem base científica. Segundo o titular do departamento de Oceanografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia, professor José Maria Landim Domiguez, o possível tsunami não passa de especulação, pois a atividade vulcânica não gera o fenômeno, mas sim o deslocamento do solo.

“Para que ocorresse um tsunami de grande magnitude, isso no pior dos cenários, seria necessário que, em função da atividade vulcânica, parte do arquipélago escorregasse para o mar, o que geraria uma onda de grandes proporções que se propagaria para o oceano”, explicou.

Já o meteorologista da Codesal, Giuliano Carlos Nascimento, explica que a ocorrência de tsunamis tem relação com o deslocamento de placas tectônicas, sendo que não há condições propícias para o fenômeno, caso ocorra, atinja Salvador. De acordo com ele, os países latino-americanos, situados na costa do Oceano Pacífico, a exemplo do Chile, têm maior probabilidade de serem atingidos pelo fenômeno.

ALERTA NAS ILHAS CANÁRIAS

Tremores ainda mais fortes são esperados para as próximas horas | Foto: Reprodução - Foto: Reprodução

Desde sábado, 11, foi detectado um aumento significativo nos movimentos sísmicos levando à alteração de nível do vulcão. As atividades tectônicas registradas ao longo desta semana são um indicativo da proximidade de uma erupção.

De acordo com o Plano Especial de Proteção Civil e Atenção às Emergências de Risco Vulcânico das Ilhas Canárias (Pevolca), a profundidade dos epicêntros dos tremores diminuiu. Eles ocorrem, geralmente, a 30km de profundidade. Só nesta quinta-feira, 16, ocorreram mais de 100 tremores com profundidades que chegam a apenas 1km.

Através de um comunicado, divulgado na manhã desta quinta, a Pevolca informou que o processo é contínuo e pode ter uma rápida evolução a curto prazo. Tremores ainda mais fortes são esperados para as próximas horas.

O Cumbre Vieja está no nível dois, dos quatro existentes, na escala de alerta para uma erupção vulcânica. Nesta fase, a população é orientada a ficar atenta ao monitoramento da atividade vulcânica e sísmica, pois ainda que considerada remota, a possibilidade de real e digna de atenção. Já o alerta máximo ocupa a terceira posição, antecedendo apenas o nível quatro, que alerta que o evento já está em andamento.