COM CONTRATO SUSPENSO DA COMPRA DA VACINA SPUTNIK V PARA O NORDESTE, RUI COSTA CRITICA ANVISA E SAÚDE

Governador disse que entraves federais impediram chegada do imunizante
Anunciada nesta quinta-feira, 5, a suspensão da compra de 37 milhões de doses da vacina Sputnik V pelo Consórcio Nordeste foi lamentada pelo governador Rui Costa, que voltou a criticar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde.
Presidente do Consórcio Nordeste, o governador do Piauí, Wellington Dias, informou o cancelamento da aquisição do imunizante russo Sputnik V, após reunião do grupo com o Fundo Soberano Russo. O governo da Bahia planejava aplicar um lote inicial de 300 mil doses do imunizante em cinco cidades próximas a Salvador. A previsão era de que esta primeira remessa fosse entregue em julho.
“Infelizmente, por conta de entraves tanto da Anvisa como Ministério da Saúde, o contrato que previa a entrega de 37 milhões de doses da vacina Sputnik V para estados nordestinos foi suspenso nesta quinta, em reunião com o Fundo Soberano Russo”, publicou Rui no Twitter.
O Fundo Russo informou que as doses antes destinadas ao Brasil serão enviadas agora para México, Argentina e Bolívia, e que novos lotes estarão disponíveis caso mude o entendimento do governo brasileiro a respeito do assunto.
Segundo o chefe do Executivo baiano, é “absurdo e lamentável que os entraves da Anvisa tenham impedido o acesso de milhões de pessoas às vacinas, que já poderíamos estar aplicando desde abril”.
Rui lembrou que as negociações com o Fundo Russo foram iniciadas em setembro do ano passado, pelo caráter de urgência da pandemia. “Urgência essa que infelizmente não foi compartilhada por outros agentes públicos”, completou.
Em sua fala, o governador do Piauí seguiu o mesmo tom, com críticas à não inclusão da vacina russa no Plano Nacional de Imunização (PNI). “Lamentavelmente, tenho que informar mais uma vez a suspensão da entrega de vacinas para o Brasil. O Brasil vive uma situação com alta mortalidade, mais de mil óbitos por dia, numa situação em que temos ainda a variante delta. E vacinas disponíveis, mas impedidas de entrar no Brasil devido a uma decisão da Anvisa que faz uma alteração no padrão de teste”, afirmou Dias. “Junto com a não inclusão pelo Ministério da Saúde da Sputnik no Plano Nacional de Vacinação e a falta da licença de importação, nós tivemos a suspensão da entrega destas vacinas. E mais: agora também acertamos a suspensão do contrato até que se tenha a autorização, a liberação para o uso da vacina Sputnik no Brasil”, completou o presidente do Consórcio Nordeste.
Rui já havia apontado na última terça-feira (3) que a possível desistência da aquisição da vacina seria discutida pelo consórcio, após declaração recente do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Na última semana, Queiroga sinalizou que a pasta pretendia cancelar um contrato para a compra de 10 milhões de doses da Sputnik. “Conversei com o presidente do Consórcio Nordeste essa semana para tomar uma decisão, dada os sucessivos obstáculos da Anvisa e a própria declaração do ministro”, antecipou o governador baiano na última terça, durante transmissão nas redes sociais.
No início de junho, a Anvisa autorizou em caráter excepcional a importação da Sputnik pelos estados do Nordeste. Um dos condicionantes era de que cada unidade federativa aplicasse inicialmente o imunizante em apenas 1% de sua população. Na Bahia, portanto, seriam 150 mil imunizados.
Apesar de considerar a quantidade autorizada abaixo da real necessidade, Rui comemorou a decisão da agência na época e anunciou o plano de aplicação. “Serão 5 cidades próximas de Salvador, com até 50 mil habitantes, para que nós e a Anvisa possamos acompanhar os resultados”, informou na ocasião.
A primeira remessa autorizada incluía também os estados de Pernambuco (192 mil doses), Ceará (183 mil), Maranhão (141 mil), Piauí (66 mil) e Sergipe (46 mil). Em seguida, foi autorizada a importação nas mesmas condições para o Pará (174 mil doses), Goiás (142 mil), Paraíba (81 mil), Rio Grande do Norte (71 mil), Mato Grosso (71 mil), Rondônia (36 mil) e Amapá (17 mil).
Assim que fossem definidas as cidades, o planejamento do governo baiano era aplicar o imunizante russo em pessoas entre 18 e 60 anos que não tivessem recebido nenhuma outra vacina contra a Covid-19.
“Vamos fazer a conta de qual é a população entre 18 e 60 anos e quantos faltam ser vacinados nesses municípios. A ideia é ter uma situação logística para monitoramento da vacinação. Queremos apresentar o relatório o mais rápido possível para ter a liberação das 10 milhões de doses. Afinal de contas, a Bahia comprou 10 milhões de doses. São 5 milhões de pessoas. Com isso, alcançaríamos a imunização de quase 80% da população baiana, já que pouco mais de 3 milhões já foram vacinados. Chegaríamos em setembro a 9, 10 milhões de pessoas”, calculou o governador, ainda em meados de junho.









