{"id":8713,"date":"2021-08-13T10:41:17","date_gmt":"2021-08-13T13:41:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/?p=8713"},"modified":"2021-08-13T10:41:17","modified_gmt":"2021-08-13T13:41:17","slug":"turismo-e-cultura-ganham-novos-horizontes-apos-audiencia-publica-na-camara-de-ilheus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/2021\/08\/13\/turismo-e-cultura-ganham-novos-horizontes-apos-audiencia-publica-na-camara-de-ilheus\/","title":{"rendered":"TURISMO E CULTURA GANHAM NOVOS HORIZONTES AP\u00d3S AUDI\u00caNCIA P\u00daBLICA NA C\u00c2MARA DE ILH\u00c9US"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8714\" src=\"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/turismo-e-cultura-ganham-novos-horizontes-apos-audiencia-publica-na-camara-de-ilheus-1280-e28a37da.jpg\" alt=\"\" width=\"570\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/turismo-e-cultura-ganham-novos-horizontes-apos-audiencia-publica-na-camara-de-ilheus-1280-e28a37da.jpg 570w, https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/turismo-e-cultura-ganham-novos-horizontes-apos-audiencia-publica-na-camara-de-ilheus-1280-e28a37da-300x168.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 um abismo gigantesco entre as pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para os segmentos da Cultura e do Turismo de Ilh\u00e9us e a rela\u00e7\u00e3o direta que especialmente a Prefeitura \u2013 independente de qual governo esteja no poder &#8211; mant\u00e9m com os protagonistas destes dois importantes setores. Enquanto a cidade possui uma moderna legisla\u00e7\u00e3o para abrigar e proteger os dois segmentos e faz\u00ea-los avan\u00e7ar, artistas e empres\u00e1rios se sentem desprotegidos, solit\u00e1rios, \u00e0 espera de a\u00e7\u00f5es mais efetivas que possam fazer \u201ca roda girar\u201d. Para todos.<\/p>\n<p>Essa foi a principal conclus\u00e3o tirada hoje (12), durante Audi\u00eancia P\u00fablica realizada pela C\u00e2mara Municipal de Ilh\u00e9us para discutir o futuro dos dois segmentos, tidos como fundamentais para o processo de crescimento da economia da cidade, especialmente no per\u00edodo da p\u00f3s-pandemia. \u201cIsso acontece por que a\u00e7\u00f5es isoladas n\u00e3o avan\u00e7am. \u00c9 preciso trabalhar em grupo\u201d, resume o presidente da Academia de Letras de Ilh\u00e9us e representante Funda\u00e7\u00e3o Cultural do Estado da Bahia no evento, Pawlo Cidade.<\/p>\n<p><strong>Grupo de Trabalho<\/strong><\/p>\n<p>A audi\u00eancia reuniu representa\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, pol\u00edticas e empresariais de Ilh\u00e9us e foi considerada um absoluto sucesso pelo propositor, o vereador Alzim\u00e1rio Belmonte, o Gurita (PSD). Participaram ainda os vereadores Cl\u00e1udio Magalh\u00e3es (PCdoB), Ka\u00edque Souza (Podemos) e Ederj\u00fanior dos Anjos (PSL). Um Grupo de Trabalho come\u00e7a a atuar j\u00e1 na pr\u00f3xima quinta-feira (19), a fim de elaborar uma estrat\u00e9gia de aproxima\u00e7\u00e3o entre governo e sociedade, viabilizando a\u00e7\u00f5es que beneficiem os dois setores, com uma pauta definida e um objetivo planejado.<!--more--><\/p>\n<p>\u201cO caminho \u00e9 parar com a pol\u00edtica de balc\u00e3o e democratizar recursos por meio de edital, com lisura e com rigor\u201d, opina a cantora e compositora Eloah Monteiro. Ao receber o convite para participar do evento, ela chegou a pensar em n\u00e3o comparecer. \u201cResisti, estava com a sensa\u00e7\u00e3o de descren\u00e7a\u201d. A artista lembrou que em 2019 apresentou \u2013 e foi aprovado com apoio da Prefeitura &#8211; um projeto art\u00edstico colocando Ilh\u00e9us na maior rede de m\u00fasica autoral do mundo. O evento foi realizado. Mas at\u00e9 hoje ela aguarda o repasse a que tinha direito. \u201cA arte \u00e9 um desafio para todos n\u00f3s. Eu s\u00f3 existo se eu mesma me financiar\u201d, lamentou.<\/p>\n<p><strong>Ideia, a\u00e7\u00e3o e resultado<\/strong><\/p>\n<p>A mesma sensa\u00e7\u00e3o de Eloah \u00e9 partilhada pelo empres\u00e1rio \u00c1tila Eiras, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Turismo de Ilh\u00e9us (ATIL). \u201cA cabe\u00e7a do empres\u00e1rio \u00e9 clara. Pensamos nesta ordem: ideia, a\u00e7\u00e3o, resultado. O plano existe. \u00c9 praticar. Mas o sentimento \u00e9 de que sempre estamos fazendo tudo de novo\u201d, afirmou. Eiras destacou que, lamentavelmente, o potencial tur\u00edstico de Ilh\u00e9us ao longo dos anos n\u00e3o saiu do lugar. \u201c\u00c9 o mesmo que ter uma Ferrari na garagem, ficar olhando pra ela e n\u00e3o andar com ela. \u00c9 diferente de quem tem um fusca, anda e faz a roda girar\u201d, comparou.<\/p>\n<p>Lideran\u00e7a importante do terceiro setor, a ativista social, Socorro Mendon\u00e7a, do Instituto Nossa Ilh\u00e9us, disse que mesmo diante desta realidade, a cidade precisa acreditar que um dia pode ser diferente. Ela destacou a audi\u00eancia p\u00fablica como uma oportunidade de mostrar ao poder p\u00fablico que a sociedade se preocupa com a cidade e quer acertar. \u201cPara isso \u00e9 preciso que tenhamos consci\u00eancia do que est\u00e1 sendo adotado. Onde estamos e onde queremos chegar. As oportunidades e os desafios. E o que \u00e9 mais importante: o que fortalece e o que nos enfraquece\u201d, apoiou a artista popular, Janete Lainha, que defende a mesma tese.<\/p>\n<p><strong>Falta espa\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>A cantora La\u00eds Marques lembrou que \u00e9 inconceb\u00edvel que esteja num lugar com tantos artistas e que n\u00e3o se sinta parte dos espa\u00e7os art\u00edsticos da cidade. O ex-vereador Paulo Moreira foi al\u00e9m. Para ele, faltam projetos bem elaborados e priorizar o que, de fato, possa ser elemento gerador de emprego e renda. \u201cNo Turismo, por exemplo, a realidade \u00e9 que ele seja pensado como produto e n\u00e3o mais de forma amadora\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Em geral, a maior queixa para o segmento do turismo \u00e9 a falta de um calend\u00e1rio promocional fixo e a necessidade da melhoria de servi\u00e7os na cidade, como o seu aspecto visual. \u201cUma campanha de limpeza p\u00fablica n\u00e3o se restringe ao lixo que \u00e9 retirado da cidade. Ilh\u00e9us come\u00e7a da praia pra dentro. E as praias s\u00e3o abandonadas\u201d, lamenta o empres\u00e1rio do ramo de hotelaria, Raimundo J\u00fanior. Para ele, \u201cas regras est\u00e3o a\u00ed, mas a pr\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 feita\u201d.<\/p>\n<p><strong>Um outro olhar<\/strong><\/p>\n<p>Na cultura, o n\u00famero limitado de espa\u00e7os culturais e uma forma mais transparente na contrata\u00e7\u00e3o de artistas, sem privil\u00e9gios de grupos apadrinhados, s\u00e3o a principal queixa. \u201cN\u00e3o estamos dentro de uma caixinha. N\u00e3o somos apenas academias. Somos grupos de dan\u00e7a nos bairros. A dan\u00e7a tem que ser vista uma a\u00e7\u00e3o f\u00edsica, educacional, art\u00edstica e cultural. Estou aqui pedindo um olhar, espa\u00e7os e oportunidades. Olhem para as pra\u00e7as, os espa\u00e7os culturais, onde podemos nos apresentar\u201d, reivindicou Bianca Lavigne, do Setorial de Dan\u00e7a.<\/p>\n<p>Esta falta de estrutura \u00e9 confirmada pela professora Sheila Carvalho. H\u00e1 20 anos a Associa\u00e7\u00e3o Cultural Amigos de Morpheu, da qual \u00e9 integrante, mant\u00e9m uma quadrilha junina, representando o bairro Nelson Costa. \u201cA gente ensaia no meio da rua, muitas vezes na chuva\u201d, afirma. No restante do ano, ela assegura que a sua entidade tem projeto, mas n\u00e3o tem espa\u00e7o para desenvolv\u00ea-los.<\/p>\n<p>\u201cNadando contra a correnteza\u201d, o diretor art\u00edstico Ed Paix\u00e3o toca, com parcos recursos, a constru\u00e7\u00e3o de um Centro Cultural no populoso bairro Nossa Senhora da Vit\u00f3ria, na zona sul. Metade da obra j\u00e1 est\u00e1 levantada. O centro cultural ser\u00e1 um ambiente de forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica. \u201cO que queremos \u00e9 parar de digitar o nome do bairro no Google e s\u00f3 aparecer fotos de jovens negros assassinados\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Protesto<\/strong><\/p>\n<p>Mas se por um lado, o projeto segue firme, por outro Ed se sente sem voz na sociedade. Aproveitou a audi\u00eancia para protestar e entregar sua carta-ren\u00fancia como membro do Conselho Municipal de Cultura. Segundo informou, trata-se do terceiro conselheiro a tomar esta decis\u00e3o. E o motivo \u00e9 sempre o mesmo: falta de apoio. \u201cA arte e cultura n\u00e3o est\u00e3o aqui para mendigar. Elas existem. Precisam ser fomentadas\u201d, protesta Ta\u00edn\u00e1 Melo, membro do F\u00f3rum Permanente de Cultura. \u201cTurismo n\u00e3o se faz com pessoas amadoras. Precisamos passar desta fase, passar para outro patamar\u201d, reivindica Edson Alves, estudante de Gest\u00e3o de Turismo no IFBaiano, em Uru\u00e7uca.<\/p>\n<p><strong>Manto da invisibilidade<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o vive o turismo. Acha que o segmento ganha dinheiro sozinho na cidade. Mas \u00e9 importante destacar que o dinheiro circula, beneficia a todos\u201d, defende Jorge Fonseca, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Cabaneiros da Praia do Sul. J\u00e1 o membro do Membro do Movimento Cultural Povos de Terreiros de Ilh\u00e9us, Egbon (irm\u00e3o mais velho) Alaboji, queixa-se do n\u00famero de jovens negros mortos e de casa de religi\u00e3o depredadas por conta de atos de intoler\u00e2ncia religiosa. \u201cNosso pedido \u00e9 para rasgar o manto de invisibilidade que nos assola\u201d, protesta. \u201cQue a sociedade tenha um olhar para o gospel como forma de cultura real\u201d, reivindica o m\u00fasico Anderson Silva, da Associa\u00e7\u00e3o dos M\u00fasicos Evang\u00e9licos de Ilh\u00e9us.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que a Audi\u00eancia P\u00fablica de hoje deu vez e voz a diversos setores da cultura e do turismo de Ilh\u00e9us. A partir de agora, o grupo vai trabalhar para que, de forma coletiva, essas reivindica\u00e7\u00f5es ecoem pelos corredores dos poderes p\u00fablicos e, juntos, possam construir um novo ambiente para os dois setores, considerados grandes alternativas para que Ilh\u00e9us possa avan\u00e7ar a caminhos dos seus 500 anos. \u201cO Turismo, de fato, nesta pandemia, foi o primeiro setor a ser atingido e o \u00faltimo a retornar. Fa\u00e7amos deste retorno o recome\u00e7o. Mas \u00e9 preciso, tamb\u00e9m, come\u00e7ar a agir, de definir prioridades e quando novos recursos chegarem, sabermos como e em que vamos investir\u201d, destaca Margareth Ara\u00fajo, superintendente do setor na Prefeitura. \u201cA sociedade \u00e9 quem deve fazer a cultura. O nosso papel \u00e9 de estabelecer mecanismos para que isso aconte\u00e7a\u201d, reconhece a superintendente de Cultura do munic\u00edpio, Jennifer Horrana.<\/p>\n<p>A Audi\u00eancia P\u00fablica tamb\u00e9m homenageou, com um minuto de sil\u00eancio e aplausos, o produtor, gestor cultural e regente, Letto Nicolau, que faleceu na noite de ontem, v\u00edtima de um infarto. Letto \u00e9 fundador da Sociedade Filarm\u00f4nica Capitania dos Ilh\u00e9os, um dos mais bem sucedidos projetos sociais do munic\u00edpio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda h\u00e1 um abismo gigantesco entre as pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para os segmentos da Cultura e do Turismo de Ilh\u00e9us e a rela\u00e7\u00e3o direta que especialmente a Prefeitura \u2013 independente de qual governo esteja no poder &#8211; mant\u00e9m com os protagonistas destes dois importantes setores. 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