{"id":8387,"date":"2021-08-03T10:35:35","date_gmt":"2021-08-03T13:35:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/?p=8387"},"modified":"2021-08-03T10:35:35","modified_gmt":"2021-08-03T13:35:35","slug":"capoeira-ganha-forca-e-atencao-em-debate-na-camara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/2021\/08\/03\/capoeira-ganha-forca-e-atencao-em-debate-na-camara\/","title":{"rendered":"CAPOEIRA GANHA FOR\u00c7A E ATEN\u00c7\u00c3O EM DEBATE NA C\u00c2MARA"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8388\" src=\"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/WhatsApp-Image-2021-08-03-at-07.34.06.jpeg\" alt=\"\" width=\"570\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/WhatsApp-Image-2021-08-03-at-07.34.06.jpeg 570w, https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/WhatsApp-Image-2021-08-03-at-07.34.06-300x168.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><\/p>\n<p>O que me alegra \u00e9 a nossa capacidade de resistir. O desabafo \u00e9 do professor de hist\u00f3ria Erlon Costa. Membro efetivo do Conselho Municipal de Cultura, Erlon \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u201cformiguinha\u201d no trabalho de difus\u00e3o da capoeira em Ilh\u00e9us. Por onde passa fala do tema. Onde \u00e9 poss\u00edvel, \u201cjoga\u201d sua arte. Com \u00edndios ianom\u00e2mis, por exemplo, perfilou na roda no topo do Pico da Neblina. Batizado de \u201cChocolate\u201d pelos mestres, Erlon comemora outro feito, que define como \u201csilencioso e estrat\u00e9gico\u201d: ter dois praticantes da capoeira na forma\u00e7\u00e3o do Conselho de Cultura.<\/p>\n<p>Mas se a presen\u00e7a da dupla fortalece a representatividade da arte, a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas definidas fragiliza o presente e cria um vazio sobre o futuro. \u201cFaltam espa\u00e7os. Os que t\u00ednhamos, foram destru\u00eddos. E quem est\u00e1 disposto a reconstru\u00ed-los n\u00e3o t\u00eam mais onde investir\u201d, lamenta. Ao falar na Audi\u00eancia P\u00fablica que debateu na C\u00e2mara Municipal a\u00e7\u00f5es afirmativas para o segmento, \u201cChocolate\u201d lembrou que nos \u00faltimos anos muitas crian\u00e7as deixaram de praticar a capoeira por que encontraram salas fechadas onde, at\u00e9 ent\u00e3o, a arte era praticada.<\/p>\n<p><strong>Espa\u00e7os<\/strong><!--more--><\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse, pr\u00e9dios onde projetos sociais e esportivos poderiam ser implantados, n\u00e3o s\u00e3o liberados para atender \u00e0 demanda de crian\u00e7as, especialmente as que se encontram em vulnerabilidade social. Por exemplo, o Col\u00e9gio da Proa, na zona sul. Fechado, o im\u00f3vel se deteriora. Mas poderia estar vivo sediando um complexo de capoeira. \u201cEntrega na m\u00e3o da gente pra ver\u201d, desafia.<\/p>\n<p>O vazio que \u201cChocolate\u201d enxerga, Mestre Ramiro, sente na pele. Viu, sem justificativa, fechar espa\u00e7os onde h\u00e1 anos atendia crian\u00e7as. O Gin\u00e1sio de Esportes e uma sala da Biblioteca P\u00fablica Municipal, s\u00e3o os dois exemplos mais recentes. \u201cSequer um of\u00edcio fizeram justificando a decis\u00e3o\u201d, desabafa. Ele compareceu \u00e0 C\u00e2mara vestido de branco (representando a paz) e descal\u00e7o (representando a liberdade). Disse que a C\u00e2mara realiza uma importante iniciativa ao debater o futuro da capoeira de Ilh\u00e9us.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00f5es pensadas<\/strong><\/p>\n<p>Contrameste, Paulo Magalh\u00e3es destacou que h\u00e1 72 a\u00e7\u00f5es pensadas para a capoeira na Bahia. Elas s\u00f3 precisam ser colocadas em pr\u00e1tica atrav\u00e9s de pol\u00edticas p\u00fablicas de valoriza\u00e7\u00e3o de uma das maiores express\u00f5es culturais do povo brasileiro. Ao participar da Audi\u00eancia P\u00fablica, Paulo lamentou que a capoeira esteja, hoje, presente apenas nas escolas particulares da Bahia e afirmou que j\u00e1 h\u00e1 um arcabou\u00e7o institucional jur\u00eddico para que possa, finalmente, ser implementada nas escolas p\u00fablicas do estado. H\u00e1 um debate sobre a necessidade ou n\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica dos instrutores para ministrar aulas nos estabelecimentos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Jornalista, mestre em Ci\u00eancias Sociais e doutor em Cultura e Sociedade, Paulo Magalh\u00e3es lembrou que a capoeira foi perseguida e chegou a ser considerada uma atividade criminosa entre 1890 e 1940. Mas ela venceu, hoje \u00e9 praticada em mais de 170 Pa\u00edses. \u201cOs caminhos agora est\u00e3o abertos e temos muito que ainda avan\u00e7ar\u201d, assegura. Levantamento feito pelo setor aponta que Ilh\u00e9us possui 36 grupos de capoeira cadastrados, mas vivendo em verdadeiras ilhas, isolados, sem uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica coletiva. Ao justificar a realiza\u00e7\u00e3o da Audi\u00eancia P\u00fablica, o autor da proposta, o vereador Cl\u00e1udio Magalh\u00e3es (PCdoB) destacou a import\u00e2ncia deste movimento cultural numa cidade de 487 anos de funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Resist\u00eancia \u00e0 escravid\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso que valorizemos a capoeira como uma atividade f\u00edsica, luta, dan\u00e7a e express\u00e3o do povo negro da cidade\u201d, disse Cl\u00e1udio. Para o vereador Vin\u00edcius Alc\u00e2ntara (PV), encontros e iniciativas como esta s\u00e3o fundamentais para puxar a reboque o poder p\u00fablico para a\u00e7\u00f5es do interesse coletivo. \u201cEstar aqui \u00e9 uma oportunidade de entender a capoeira e, atrav\u00e9s das reivindica\u00e7\u00f5es, fazer com que as coisas aconte\u00e7am\u201d. O vereador Vin\u00edcius lembrou que o produto da capoeira \u00e9 um produto da resist\u00eancia \u00e0 escravid\u00e3o e um patrim\u00f4nio cultural do Brasil.<\/p>\n<p>Professor da rede p\u00fablica com atua\u00e7\u00e3o em Salvador, Mestre Duda defendeu que \u00e9 inevit\u00e1vel que todo cidad\u00e3o politizado esteja neste momento revoltado com a realidade nacional. \u201cA luta \u00e9 grande. Agora, sobretudo, \u00e9 no sentido se organizar enquanto coletivo para pensar na proposi\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d. Mas lembrou que \u00e9 preciso avan\u00e7ar muito. \u201cQuando a gente prop\u00f5e pol\u00edticas p\u00fablicas a gente hoje n\u00e3o sabe nem se a escola quer aceitar a cultura tradicional como ela \u00e9\u201d, exemplificou.<\/p>\n<p><strong>Sistema trabalha para o sistema<\/strong><\/p>\n<p>A capoeira est\u00e1 esquecida, lamenta o professor Artur Greg\u00f3rio, o outro capoeirista que integra o Conselho Municipal de Cultura. \u201cEssa \u00e9 a cultura do povo, da gente. Mas se o seu filho n\u00e3o consegue ver algu\u00e9m jogar capoeira na rua, ele n\u00e3o se inspira\u201d, afirmou. Greg\u00f3rio criticou o sistema que, segundo ele, trabalha para amigos e coligados e n\u00e3o pra todo mundo. \u201cO sistema trabalha para o sistema. E quando eles nos querem fora, eles n\u00e3o nos ajudam\u201d, sentenciou. \u201cS\u00f3 se lembram dos capoeiristas na semana da consci\u00eancia negra\u201d, completa Bruno Reis, o mestre Zumbi. \u201c\u00c9 preciso perman\u00eancia, regularidade, para que possamos ser olhados com outros olhos\u201d, afirma. \u201cPor isso, organizar coletivos \u00e9 o que faz a gente estar aqui\u201d, finalizou Erlon, encerrando a Audi\u00eancia Publica e as comemora\u00e7\u00f5es do Dia do Capoeirista, que acontece neste dia 3, ter\u00e7a-feira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que me alegra \u00e9 a nossa capacidade de resistir. O desabafo \u00e9 do professor de hist\u00f3ria Erlon Costa. Membro efetivo do Conselho Municipal de Cultura, Erlon \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u201cformiguinha\u201d no trabalho de difus\u00e3o da capoeira em Ilh\u00e9us. Por onde passa fala do tema. Onde \u00e9 poss\u00edvel, \u201cjoga\u201d sua arte. 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