{"id":8140,"date":"2021-07-27T10:32:03","date_gmt":"2021-07-27T13:32:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/?p=8140"},"modified":"2021-07-27T10:32:03","modified_gmt":"2021-07-27T13:32:03","slug":"julho-das-pretas-e-lembrado-em-audiencia-historica-na-camara-municipal-de-ilheus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/2021\/07\/27\/julho-das-pretas-e-lembrado-em-audiencia-historica-na-camara-municipal-de-ilheus\/","title":{"rendered":"JULHO DAS PRETAS \u00c9 LEMBRADO EM AUDI\u00caNCIA HIST\u00d3RICA NA C\u00c2MARA MUNICIPAL DE ILH\u00c9US"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8141\" src=\"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/WhatsApp-Image-2021-07-26-at-12.24.16_Easy-Resize.com_.jpg\" alt=\"\" width=\"570\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/WhatsApp-Image-2021-07-26-at-12.24.16_Easy-Resize.com_.jpg 570w, https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/WhatsApp-Image-2021-07-26-at-12.24.16_Easy-Resize.com_-300x168.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><\/p>\n<p>Ao participar hoje (26) pela manh\u00e3 da Audi\u00eancia P\u00fablica que marcou as comemora\u00e7\u00f5es e o debate do \u201cJulho das Pretas\u201d, em Ilh\u00e9us, a secret\u00e1ria estadual de Pol\u00edtica das Mulheres (SPM), Julieta Palmeira, destacou o impacto que uma cultura machista traz para a mulher negra que, muitas vezes, significa atos de viol\u00eancia e at\u00e9 casos de feminic\u00eddio. \u201cA viol\u00eancia atinge majoritariamente as mulheres negras, entrela\u00e7adas pelo racismo\u201d, assegura. A secret\u00e1ria defende que o munic\u00edpio de Ilh\u00e9us tenha uma agenda de enfrentamento a viol\u00eancia contra as mulheres e que esta seja uma luta suprapartid\u00e1ria.<\/p>\n<p>O \u201cJulho das Pretas\u201d \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o de incid\u00eancia pol\u00edtica e agenda conjunta e propositiva com organiza\u00e7\u00f5es e movimento de mulheres negras do Brasil, voltada para o fortalecimento da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica coletiva e aut\u00f4noma das mulheres negras nas diversas esferas da sociedade. A a\u00e7\u00e3o foi criada em 2013, pelo Odara \u2013 Instituto da Mulher Negra, e celebra o 25 de Julho, Dia Internacional da Mulher Negra Afro Latina Americana e Caribenha.<!--more--><\/p>\n<p>Em Ilh\u00e9us, a iniciativa foi conjunta dos vereadores Enilda Mendon\u00e7a (PT) e Cl\u00e1udio Magalh\u00e3es (PCdoB). O Julho das Pretas traz temas relacionados \u00e0 supera\u00e7\u00e3o das desigualdades de g\u00eanero e ra\u00e7a, colocando a pauta e agenda pol\u00edtica das mulheres negras em evid\u00eancia. Neste ano o evento est\u00e1 trabalhando com o tema geral \u201cPara o Brasil Genocida, Mulheres Negras apontam a Solu\u00e7\u00e3o!\u201d.<\/p>\n<p>Desmonte de pol\u00edticas p\u00fablicas<\/p>\n<p>A sociedade passa pela necessidade de um processo de reflex\u00e3o sobre o momento nacional, com o desmonte de pol\u00edticas p\u00fablicas, que atingem, especialmente, negros pobres, da periferia. Por isso para superar a invisibilidade destas mulheres negras que sofrem \u00e9 preciso estender bandeiras e promover lutas em defesa da causa, refor\u00e7a a vereadora Marta Rodrigues, da C\u00e2mara Municipal de Salvador, que participou da audi\u00eancia.<\/p>\n<p>Para Daniele Costa, que tamb\u00e9m representou a SPM no evento, as rela\u00e7\u00f5es de trabalho ainda escravizam os corpos negros. Para ela, \u00e9 preciso incentivar a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica organizada, participar e atuar no executivo. Mas destaca: n\u00e3o precisa ter uma mulher preta no processo de poder, se n\u00e3o houver tamb\u00e9m, interesse dela pelas transforma\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 preciso resistir e esperan\u00e7ar por estas lutas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Cume da montanha<\/p>\n<p>Uma das idealizadoras do Projeto \u201cMulher Negra, a for\u00e7a que se explica\u201d, a professora e atriz Teresa S\u00e1 lembra que realizar eventos como o de hoje \u00e9 um sinal de que \u201cas nossas vozes come\u00e7am a ganhar eco\u201d. Pensamento compartilhado pela m\u00e3e-de-santo, M\u00e3e Ilza Mukal\u00ea. \u201cEstamos vencendo e vamos chegar ao cume desta montanha. Sou testemunha disso\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A cabelereira Mirety Di Biachio, coordenadora estadual do F\u00f3rum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros, disse que, pela primeira vez na hist\u00f3ria da C\u00e2mara de Vereadores local, uma trans \u00e9 convidada a entrar no Parlamento Municipal para falar e expor opini\u00e3o. \u201cVivemos o preconceito. N\u00e3o conseguimos emprego em Ilh\u00e9us. E n\u00e3o \u00e9 falta de preparo. \u00c9 preconceito mesmo, temos os nossos direitos negligenciados\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Durante a audi\u00eancia Mirety reivindicou a forma\u00e7\u00e3o de um n\u00facleo de atendimento especializado em sa\u00fade, para acompanhamento psicol\u00f3gico e cl\u00ednicos. \u201cA sa\u00fade representa o passo inicial para que tenhamos condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de vida\u201d, justificou a reivindica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Inf\u00e2ncia sem racismo<\/strong><\/p>\n<p>Psic\u00f3loga social com atua\u00e7\u00e3o no N\u00facleo de Atendimento Psicossocial da Defensoria P\u00fablica do Estado da Bahia, Marisa Batista da Silva, lembra que todos os dias mulheres e crian\u00e7as que sofrem pelo enfrentamento ao racismo s\u00e3o atendidas pela institui\u00e7\u00e3o. A Defensoria P\u00fablica estadual criou um programa intitulado \u201cInf\u00e2ncia sem racismo\u201d, por conta da grande procura. Para a advogada Wanessa Gedeon, representante da OAB, infelizmente, o racismo est\u00e1 estruturado em toda a sociedade. \u201c\u00c9 preciso conhece-lo para combatermos\u201d, reflete.<\/p>\n<p>Formada em Ci\u00eancias Sociais perla UESC, a conselheira tutelar Sheila Carvalho, levou para o debate o resultado de uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA), que aponta que, em 2018, a cada duas horas uma mulher brasileira foi assassinada. A grande maioria, negra. \u201cSe n\u00f3s n\u00e3o falarmos por n\u00f3s, quem falar\u00e1?\u201d, pergunta. \u201cPor isso \u00e9 que digo: negro tem que ter nome e sobrenome, por que sen\u00e3o os brancos usam apelidos para dizer quem somos\u201d, protestou.<\/p>\n<p><strong>Revolucionar<\/strong><\/p>\n<p>A militante H\u00e9lia Palma, representa\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Brasileira de Mulheres (UBM), promove uma luta di\u00e1ria, com participa\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios movimentos sociais. O objetivo \u00e9 lutar contra a opress\u00e3o, combate \u00e0 viol\u00eancia e direitos \u00e0 sa\u00fade. Doutora em Sociologia, a professora da UESC Fl\u00e1via Alessandra, assegura que nenhuma pauta revolucion\u00e1ria pode se concretizar sem o protagonismo das mulheres negras. Mas ela considera fundamental que as pessoas brancas assumam o compromisso do desmonte do racismo. \u201cSomos oriundos de um povo capaz de sorrir, mesmo estando de barriga vazia. Mas \u00e9 importante lembrar que as balas perdidas elas sempre nos acham\u201d, lamenta Cristiane Vilas Boas, presidente da Unegro em Ilh\u00e9us.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante Ilh\u00e9us resgatar a sua hist\u00f3ria sob o ponto de vista dos pretos\u201d, protesta a cordelista Janete Lainha, ex-presidente do Conselho Municipal de Cultura. \u201c\u00c9 preciso tamb\u00e9m destacar que n\u00e3o somos minorias. O preto representa 53 por cento da popula\u00e7\u00e3o brasileira. A mulher, 56 por cento. Portanto, o que nos falta \u00e9 estimular a consci\u00eancia do nosso papel na sociedade\u201d, sentenciou a artista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao participar hoje (26) pela manh\u00e3 da Audi\u00eancia P\u00fablica que marcou as comemora\u00e7\u00f5es e o debate do \u201cJulho das Pretas\u201d, em Ilh\u00e9us, a secret\u00e1ria estadual de Pol\u00edtica das Mulheres (SPM), Julieta Palmeira, destacou o impacto que uma cultura machista traz para a mulher negra que, muitas vezes, significa atos de viol\u00eancia e at\u00e9 casos de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8141,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"views":417,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8140"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8140"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8140\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8142,"href":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8140\/revisions\/8142"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8141"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}