{"id":11203,"date":"2022-04-28T09:21:12","date_gmt":"2022-04-28T12:21:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/?p=11203"},"modified":"2022-04-28T09:21:12","modified_gmt":"2022-04-28T12:21:12","slug":"brasil-lidera-derrubada-de-florestas-tropicais-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/2022\/04\/28\/brasil-lidera-derrubada-de-florestas-tropicais-no-mundo\/","title":{"rendered":"BRASIL LIDERA DERRUBADA DE FLORESTAS TROPICAIS NO MUNDO"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_11204\" style=\"width: 580px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-11204\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-11204\" src=\"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/desmatamento-QuqK4e.jpeg\" alt=\"\" width=\"570\" height=\"380\" srcset=\"https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/desmatamento-QuqK4e.jpeg 570w, https:\/\/www.bahiananoticias.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/desmatamento-QuqK4e-300x200.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><p id=\"caption-attachment-11204\" class=\"wp-caption-text\">FOTO: Phillippe Watanabe<br \/>S\u00e3o Paulo, SP<\/p><\/div>\n<p>O Brasil foi l\u00edder, em 2021, na perda de florestas tropicais no mundo. Sozinho, o pa\u00eds que tem a maior floresta tropical do planeta respondeu por 40% da derrubada registrada, segundo dados da Global Forest Watch, ferramenta da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental WRI (World Resources Institute) em parceria com a Universidade de Maryland, nos EUA.<\/p>\n<p>Os dados foram publicados nesta quinta-feira (28).<\/p>\n<p>Ao todo, as perdas de florestas tropicais prim\u00e1rias somam 3,75 milh\u00f5es de hectares (37,5 mil quil\u00f4metros quadrados). No Brasil, segundo a plataforma, a perda foi de 1,5 milh\u00f5es de hectares, ou 15 mil quil\u00f4metros quadrados, valor menor do que o documentado no ano anterior, mas maior do que os n\u00fameros de 2018 e 2019.<!--more--><\/p>\n<p>A ferramenta mostra que houve um aumento relevante de perda florestal no oeste da Amaz\u00f4nia, com novos pontos de grande expans\u00e3o do desmatamento ao longo de estradas.<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o em \u00e1reas mais intocadas da floresta, como as encontradas no Amazonas, preocupa pesquisadores h\u00e1 algum tempo. Segundo Fab\u00edola Zerbini, diretora de florestas, agricultura e uso do solo do WRI Brasil, n\u00e3o se trata de uma mudan\u00e7a de padr\u00f5es, mas somente uma expans\u00e3o dos pontos com desmatamento mais forte.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da enorme perda de biodiversidade, a derrubada das florestas tropicais tamb\u00e9m tem um impacto consider\u00e1vel em emiss\u00f5es de gases-estufa. No Brasil, a derrubada da Amaz\u00f4nia e as atividades do agroneg\u00f3cio s\u00e3o as\u00a0principais fontes de emiss\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Segundo a Global Forest Watch, em 2021 houve emiss\u00e3o de 2,5 gigatoneladas de CO2 pela derrubada de florestas tropicais nativas, valores n\u00e3o t\u00e3o distantes das emiss\u00f5es de toda a \u00cdndia.<\/p>\n<p>&#8220;O mundo n\u00e3o vai atingir a meta clim\u00e1tica de limitar o aquecimento global a 1,5\u00b0C se a Amaz\u00f4nia n\u00e3o for protegida&#8221;, afirma Zerbini. &#8220;\u00c9 um projeto global que o Brasil tem condi\u00e7\u00f5es de liderar.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 cada vez mais improv\u00e1vel que o mundo consiga cumprir a promessa central do Acordo de Paris, no qual os pa\u00edses se comprometeram a reduzir emiss\u00f5es para, preferencialmente, evitar uma subida de temperatura superior a 1,5\u00b0C \u2014a maior parte dessa diferen\u00e7a j\u00e1 foi ocupada no term\u00f4metro.<\/p>\n<p>Apesar do conhecimento sobre a responsabilidade humana sobre a crise clim\u00e1tica, as emiss\u00f5es de gases-estufa continuaram a aumentar na \u00faltima d\u00e9cada. Para conseguir cumprir a meta, ser\u00e3o necess\u00e1rios cortes dr\u00e1sticos nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Em segundo lugar na lista da Global Forest Watch dos pa\u00edses com maiores perdas de florestas tropicais est\u00e1 a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, com 0,5 milh\u00e3o de hectares derrubados (cerca de 5.000 km\u00b2). Por l\u00e1, h\u00e1 liga\u00e7\u00f5es da destrui\u00e7\u00e3o com uma expans\u00e3o de espa\u00e7os agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>A lista tem na sequ\u00eancia Bol\u00edvia, Indon\u00e9sia e Peru, mas todos com dados consideravelmente menores do que os brasileiros.<\/p>\n<p>Esse top 5 permanece quase constante nos \u00faltimos anos, somente com uma mudan\u00e7a da Indon\u00e9sia, que, em 2020, caiu uma posi\u00e7\u00e3o \u2014as taxas de perda de floresta prim\u00e1ria foram reduzidas pelo quinto ano seguido no pa\u00eds; comparada a 2020, a queda j\u00e1 chega a 25%.<\/p>\n<p>Ainda sobre o Indon\u00e9sia, a WRI aponta alguns riscos para a prote\u00e7\u00e3o das florestas: o elevado pre\u00e7o atual do \u00f3leo de palma e o fim do congelamento de abertura de novas \u00e1reas para esse tipo de planta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses do top 5 de perda de floresta prim\u00e1ria, com exce\u00e7\u00e3o da Bol\u00edvia, assinaram a Declara\u00e7\u00e3o de Florestas, compromisso para conserva\u00e7\u00e3o das matas visando a interrup\u00e7\u00e3o da perda florestal at\u00e9 2030. O documento foi definido na COP26, Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, que ocorreu no fim do ano passado, em Glasgow, no Reino Unido.<\/p>\n<p>Zerbini afirma que, apesar de, logicamente, ainda n\u00e3o ser poss\u00edvel ver nos dados poss\u00edveis efeitos da declara\u00e7\u00e3o, os dados hist\u00f3ricos apresentam um certo n\u00edvel de estabilidade. Um poss\u00edvel efeito de Glasgow, ent\u00e3o, seria bem-vindo para auxiliar na redu\u00e7\u00e3o das perdas.<\/p>\n<p>Os dados apresentados pela Global Forest Watch s\u00e3o diferentes dos disponibilizados anualmente pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Os dois possuem metodologias pr\u00f3prias para captura e an\u00e1lise de perda florestal, n\u00e3o sendo compar\u00e1veis, portanto.<\/p>\n<p>H\u00e1 outras metodologias ainda para observar por sat\u00e9lite a derrubada de floresta. Um exemplo \u00e9 o acompanhamento constante que o Imazon realiza.<\/p>\n<p>Apesar de a queda de florestas tropicais ter maior import\u00e2ncia, tamb\u00e9m h\u00e1 perda de matas em outras regi\u00f5es do mundo. S\u00e3o, por\u00e9m, processos distintos: em locais mais distantes dos tr\u00f3picos, usualmente as perdas n\u00e3o resultam em uma mudan\u00e7a de uso do solo, como no Brasil, onde \u00e1reas desmatadas acabam virando local para pasto e planta\u00e7\u00e3o. Os dados da Global Forest Watch tamb\u00e9m olham para elas.<\/p>\n<p>Segundo a plataforma, a perda de florestas boreais chegou ao maior n\u00edvel da hist\u00f3ria no ano passado, com cerca de 30% de crescimento em rela\u00e7\u00e3o a 2020.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com as grandes perdas de vegeta\u00e7\u00e3o por inc\u00eandios na floresta russa (na qual as perdas s\u00e3o sempre majoritariamente associadas ao fogo), na pior temporada de queimadas das \u00faltimas duas d\u00e9cadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil foi l\u00edder, em 2021, na perda de florestas tropicais no mundo. Sozinho, o pa\u00eds que tem a maior floresta tropical do planeta respondeu por 40% da derrubada registrada, segundo dados da Global Forest Watch, ferramenta da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental WRI (World Resources Institute) em parceria com a Universidade de Maryland, nos EUA. 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